Conto: Ciúme Psicótico.
Autor(a:): Desconhecido.
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Ciúme Psicótico
Ela estava no trabalho. Eu podia vê-la de onde
eu estava. Eu passara o dia todo ali, desde o inicio do seu expediente. Vi ela chegar com o seu novo namorado, vi ela
beijá-lo e o amaldiçoei por isso. Ela entrou e ficou atrás de seu computador.
Eu aposto que ela ficou falando com aquele verme o dia todo. Acendi um cigarro e fiquei esperando o tempo passar.
Chegou à hora do almoço, ela saiu para algum restaurante. Eu até sabia qual.
Alguns hábitos não mudam... Ela gostava de ir a um lugar que servia peixe. Ela
e seus malditos vícios gastronômicos. Liguei o carro e a segui discretamente e
sim, lá ia ela para o mesmo restaurante comer peixe.
Ela era totalmente o oposto de mim, tinha hábitos
saudáveis, gostava de fazer caminhadas e não bebia. Tinha cabelos loiros e ondulados que chegavam perto de
sua cintura. Olhos incrivelmente azuis. Lábios carnudos e sempre pintados de um
rosa delicado. Uma verdadeira deusa.
Mas a deusa havia me chutado há pelo menos dois
meses. Me trocado por um playboy metido a jogador de futebol, com o seu maldito
carro do ano e suas roupas de marca. Um
típico filho de magnata filho da puta. Eu queria apertar o pescoço daquele
almofadinha até eu sentir as suas vértebras. Ela alegava que eu era um bruto
insensível e que ela não sabia o que tinha na cabeça quando aceitou namorar
comigo. Mas no fundo eu sabia que ela me amava e sempre ia me amar. O tanto
quanto eu gostava dela. Eu a amava mais que tudo nessa vida.
Acendi mais um cigarro e fui abrir uma lata de
cerveja. Observando tudo ao meu redor. Eu dirigia um Opala 92. Preto. Que ela
detestava por sinal. Que tipo de mulher não gosta de Opalas? Mas ela eu
perdoava, afinal ela era meu anjinho.
Ela demorou exatamente 43 minutos dentro daquela
porra de restaurante. Sai divinamente bela e foi indo em direção ao seu
trabalho. De longe eu a observava. O
telefone tocou. Eu podia vê-la dando sorrisinhos e ficando corada. Eu podia
apostar que era aquele filho da puta ligando para minha menina. Mas eu esperei.
Ela retornou ao trabalho, e eu estacionei o Opala
por perto. Eu sabia que no fim do dia ela
iria embora sozinha, afinal era terça e o namoradinho dela tinha faculdade.
O tempo se arrastou. No meio da tarde eu liguei para o escritório, pude
ouvir sua voz doce, mas desliguei.
Tic tac. Tic tac.
As 19h se aproximavam. O céu estava escuro indicando chuva. Todos já haviam saído do escritório onde ela trabalhava.
Um a um eu fiquei vigiando até eles desaparecem na escuridão. Um deles veio e
abraçou a minha menina e disse um até amanhã bem meloso. Esse eu vou deixar pra
pegar depois. Ela vestia uma calça justa e
um tênis qualquer, vestia o uniforme da empresa e mesmo assim continuava linda.
Esperei ela fechar as janelas. Apagar as luzes e os
computadores. Vi ela se dirigindo a frente
do escritório. Vi ela tirar a chave do molho. Ela fechou a porta e eu pude ouvir a chave girar. Pude
ouvir até seu coração batendo em ritmo normal.
Tirei a seringa que tinha certa dose algo que a
faria ficar calma e fiquei escondido atrás de uns arbustos que circundavam a
frente do trabalho dela. Contei seus passos.
Ela abriu a bolsa para procurar algo, talvez o celular. Então eu abracei. Ela se assustou e fez uma expressão que
demonstrava terror:
-Me solta! – ela gritou.
Mas eu tampei seus lábios com um beijo e apliquei a
seringa toda em suas costas. Assim que se
sossega uma leoa furiosa. Vi seus olhos
azuis se apagarem de medo e quando ela acordasse, ela saberia que eu a amo. E
ela ficaria somente comigo, e com mais ninguém...
--Roberta H.
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