Conto: Depois do Cemitério
Autor(a:): Roberta H.
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Depois
do Cemitério
De repente me vejo em um lugar totalmente desconhecido.
Estou em frente ao lugar onde os mortos descansam: um cemitério. Olho em minha
volta. Atrás de mim não há nada além de neve, do meu lado direito: mais neve,
do meu lado esquerdo: mais e mais neve. Não posso ficar aqui parada para
sempre. A única coisa que posso fazer é entrar no cemitério.
Adentro aquele local sombrio, passando pelo grande portão
de ferro, que impede que os mortos fujam de sua eterna prisão. Os túmulos são
rodeados por uma névoa baixa, que cobre o todo o chão. A maioria das lápides
está caída, ou parcialmente quebrada. Estranhamente, os túmulos e o chão não
estão cobertos de neve como lá fora. Cada túmulo tem ao lado seu dono, zelando por seu único
pertence. Enquanto caminho pelo local, os espíritos que ali descansam tentam
pegar-me, puxar-me, levar-me com eles. Por sorte, consigo passar por ali sem
sequer ser tocada.
Quando acabo meu trajeto, paro em frente a uma velha
casinha de madeira, rodeada por uma cerca de arame farpado. Abro o portãozinho
de madeira e entro no terreno. Um homem aparece na porta e me olha intrigado.
--Não era para você
estar aqui! Como você conseguiu chegar até aqui?!
--Pelo cemitério, ora!
--O que você está
fazendo aqui?! Você não devia estar morta! Agora terei que levar-te para outro
lugar, você não pode ficar aqui. Espere um pouco, eu vou lá dentro e já volto.
Não saia daí!
O homem entra. Percebo que há um buraco ao lado direito
da casa. Vou até lá e entro no buraco. É como um túnel, baixo e estreito. No
final há uma grade de ferro impedindo que eu saia. Posso ouvir as pessoas
conversando do lado de fora, os carros passando, mas é impossível sair dali.
Forço a grade, mas ela nem se move. Não adianta perder meu tempo, eu não vou
conseguir sair. Volto para frente da casa. O homem ainda está lá dentro. Decido
espera-lo. Ele aparece na porta da casa novamente.
--Vamos?
--Pra onde?
--Para onde você
deveria estar. Na verdade, você não deveria nem estar aqui, mas não tem como
voltar para onde você veio. Mas, você não pode ficar aqui. Vamos logo que eu não
tenho todo o tempo do mundo.
Ele levou-me para uma estrada que ficava atrás da casa, e
que eu não havia percebido anteriormente. Ao lado da estrada havia um trilho de
trem, e ao longe, no horizonte, uma luz. Nós começamos uma caminhada para algum
lugar desconhecido por mim. Íamos andando em direção àquela luz.
--Acorde, Madalena!
Está na hora de tomar seu remédio.
--Mas que droga! Tenho
que tomar essa porcaria de novo?
--Sim. Vamos logo que
eu tenho mais o que fazer!
A mulher me deu dois comprimidos e um copo de água para
ajudar-me a engoli-los. Eu fingi que tomei aquela porcaria desnecessária, e
quando ela saiu, joguei os comprimidos no vaso de flor ao lado de minha cama. Sinto-me
sozinha nesse lugar, ninguém veio me visitar hoje. Ninguém nunca vem. Mais um
dia sozinha nesse maldito sanatório.
--Roberta H.


Perfect sua prostituta mal amada <3
ResponderExcluirPor que você insiste em me xingar?? O que eu te fiz, poxa :(
Excluirè mt amor u.u
ExcluirRoberta H.
ResponderExcluirTop essa.
Gostei