Música

terça-feira, 16 de julho de 2013

Conto - Depois do Cemitério

Conto:  Depois do Cemitério
Autor(a:): Roberta H.
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Depois do Cemitério

            De repente me vejo em um lugar totalmente desconhecido. Estou em frente ao lugar onde os mortos descansam: um cemitério. Olho em minha volta. Atrás de mim não há nada além de neve, do meu lado direito: mais neve, do meu lado esquerdo: mais e mais neve. Não posso ficar aqui parada para sempre. A única coisa que posso fazer é entrar no cemitério.


            Adentro aquele local sombrio, passando pelo grande portão de ferro, que impede que os mortos fujam de sua eterna prisão. Os túmulos são rodeados por uma névoa baixa, que cobre o todo o chão. A maioria das lápides está caída, ou parcialmente quebrada. Estranhamente, os túmulos e o chão não estão cobertos de neve como lá fora. Cada túmulo tem ao lado seu dono, zelando por seu único pertence. Enquanto caminho pelo local, os espíritos que ali descansam tentam pegar-me, puxar-me, levar-me com eles. Por sorte, consigo passar por ali sem sequer ser tocada.

            Quando acabo meu trajeto, paro em frente a uma velha casinha de madeira, rodeada por uma cerca de arame farpado. Abro o portãozinho de madeira e entro no terreno. Um homem aparece na porta e me olha intrigado.

--Não era para você estar aqui! Como você conseguiu chegar até aqui?!

--Pelo cemitério, ora!

--O que você está fazendo aqui?! Você não devia estar morta! Agora terei que levar-te para outro lugar, você não pode ficar aqui. Espere um pouco, eu vou lá dentro e já volto. Não saia daí!

            O homem entra. Percebo que há um buraco ao lado direito da casa. Vou até lá e entro no buraco. É como um túnel, baixo e estreito. No final há uma grade de ferro impedindo que eu saia. Posso ouvir as pessoas conversando do lado de fora, os carros passando, mas é impossível sair dali. Forço a grade, mas ela nem se move. Não adianta perder meu tempo, eu não vou conseguir sair. Volto para frente da casa. O homem ainda está lá dentro. Decido espera-lo. Ele aparece na porta da casa novamente.

--Vamos?

--Pra onde?

--Para onde você deveria estar. Na verdade, você não deveria nem estar aqui, mas não tem como voltar para onde você veio. Mas, você não pode ficar aqui. Vamos logo que eu não tenho todo o tempo do mundo.

          Ele levou-me para uma estrada que ficava atrás da casa, e que eu não havia percebido anteriormente. Ao lado da estrada havia um trilho de trem, e ao longe, no horizonte, uma luz. Nós começamos uma caminhada para algum lugar desconhecido por mim. Íamos andando em direção àquela luz. 


--Acorde, Madalena! Está na hora de tomar seu remédio.

--Mas que droga! Tenho que tomar essa porcaria de novo?

--Sim. Vamos logo que eu tenho mais o que fazer!

            A mulher me deu dois comprimidos e um copo de água para ajudar-me a engoli-los. Eu fingi que tomei aquela porcaria desnecessária, e quando ela saiu, joguei os comprimidos no vaso de flor ao lado de minha cama. Sinto-me sozinha nesse lugar, ninguém veio me visitar hoje. Ninguém nunca vem. Mais um dia sozinha nesse maldito sanatório.

--Roberta H.

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