Música

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Conto - Silêncio

Conto:  Silêncio
Autor(a:): Desconhecido (Eu tirei esse conto de alguma página, provavelmente do Facebook, mas não lembro qual)
  Você também pode mandar seu conto para o e-mail: sr.fofo@hotmail.com

Silêncio


--Você é doente!

Fixava-me naquela mulher gritando.

--Shhh... – Respondi com calmaria total, sem nenhuma mínima mudança de comportamento ou humor.

Olhando dentro daqueles olhos grandes e negros, com pupilas dilatadas, tentava decifrar a sensação de ouvir aqueles murmúrios, eu não me importava, assim como me sentia frio com qualquer outra coisa, era meu corpo ali, mas como na maioria das vezes, estava com uma máscara que cobria o eu, que poucos — realmente muito poucos — conheciam.

Ela continuava a gritar, a dor, a tensão, o corte alinhado com bisturi abaixo aos seios, as lágrimas, o horror nos olhos e o pranto inacabável. Me saboreava com cada detalhe daquela cena, que eu, e somente eu, produzia. Recordava aos poucos os cuidados tomados para não ser descoberto, distante demais, onde o mais alto som não seria escutado. A sensação parecia entrar no cérebro, deixando gosto na boca, a decisão nas mãos, o corpo quente ficando pálido e frio, e quem antes gritava, esperneava, tentava se livrar das fortes amarras nos punhos e pés, agora pede baixinho, em súplica, que a solte.

E por fim, aquilo que tantos julgam tão sentimental, que tem como referência o amor e a compaixão, bater livremente diante dos meus olhos, comum demais, sem sentimento algum, e por um corte exato, não ouvir nada mais. Sem gritos, sem súplicas, sem batimentos.

--Ah, silêncio, assim é bem melhor.   


--Roberta H.

-Créditos: Não lembro da onde peguei.

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