Conto: Silêncio
Autor(a:): Desconhecido (Eu tirei esse conto de alguma página, provavelmente do Facebook, mas não lembro qual)
Você também pode mandar seu conto para o e-mail: sr.fofo@hotmail.com
Silêncio
--Você é doente!
Fixava-me naquela mulher
gritando.
--Shhh... – Respondi com
calmaria total, sem nenhuma mínima mudança de comportamento ou humor.
Olhando dentro daqueles
olhos grandes e negros, com pupilas dilatadas, tentava decifrar a sensação de
ouvir aqueles murmúrios, eu não me importava, assim como me sentia frio com
qualquer outra coisa, era meu corpo ali, mas como na maioria das vezes, estava com uma
máscara que cobria o eu, que poucos — realmente muito poucos — conheciam.
Ela continuava a gritar, a dor, a tensão, o corte alinhado
com bisturi abaixo aos seios, as lágrimas, o horror nos olhos e o pranto
inacabável. Me saboreava com cada detalhe daquela cena, que eu, e somente eu,
produzia. Recordava aos poucos os cuidados tomados para não ser descoberto,
distante demais, onde o mais alto som não seria escutado. A sensação parecia
entrar no cérebro, deixando gosto na boca, a decisão nas mãos, o corpo quente
ficando pálido e frio, e quem antes gritava, esperneava, tentava se livrar das
fortes amarras nos punhos e pés, agora pede baixinho, em súplica, que a solte.
E por fim, aquilo que tantos julgam tão sentimental, que tem
como referência o amor e a compaixão, bater livremente diante dos meus olhos,
comum demais, sem sentimento algum, e por um corte exato, não ouvir nada mais.
Sem gritos, sem súplicas, sem batimentos.
--Ah, silêncio, assim é bem melhor.
--Roberta H.
-Créditos: Não lembro da onde peguei.

Nenhum comentário:
Postar um comentário