Conto: Revólver.
Autor(a:): Desconhecido.
Você também pode mandar seu conto para o e-mail: sr.fofo@hotmail.com
Revólver
Ouça bem. Preste atenção, pois cada palavra
deve ficar guardada em sua mente. Você apareceu em minha vida e por culpa de um
maldito cupido ficamos juntos. Eu te amava de verdade e estava sendo capaz de
abandonar tudo por você. Mas você queria mais, como todo ser humano você tinha
que querer mais e como se não bastasse, tinha que ser curioso a ponto de
investigar a minha vida profundamente. Se a
curiosidade mata? Talvez.
Hoje de manhã, você entrou como um furacão e
derrubou sobre mim milhares de palavras e acusações. Sem qualquer chance de
defesa, você me amarrou em uma cadeira e me esqueceu por quase seis horas. Você
tem noção do que são seis horas amarrada no escuro?
Quando você voltou, o cheiro forte de álcool
invadiu a sala, meus olhos ardiam com a claridade e mal percebi sua mão se
aproximando do meu rosto.
Você me espancou, usou toda a sua força, até me ver
cuspir sangue. Cada soco era um pouco da alma que se extraia. Quando você
percebeu que eu já não tinha forças pra gritar, me desamarrou e me jogou no
chão. Apenas tive tempo de ver seus olhos brilhando, ao pegar um taco e bater
nas minhas costas. Não reagi. Não ajudou muito, pois você começou a bater mais
forte, para ver se ouvia ao menos um gemido.
Quando seu braço cansou você largou o taco, foi até
aquela maldita mesa, pegou o revólver e apontou para mim. Você me olhava com
chamas nos olhos, me xingava e falava tudo que tinha vontade. Só ai soube o
motivo pra tudo isso. Levantei e fui em sua direção. Você precisava ver sua
cara de bobo, como se não acreditasse no que seus olhos estavam vendo.
Só te digo uma coisa: se é pra fazer, vamos fazer
direito. Você é tão inútil que mesmo toda arrebentada consegui tomar o revólver
de você e te derrubar. Se bem que no estado alcoólico que estava, não era
difícil. Agora, você esta ai, largado no chão, com a arma delicadamente
apontada para sua testa. É difícil acreditar que você fez tudo isso por causa
de alguns detalhes…
E daí se te disseram que eu matei dez pessoas
inocentes? Vai acreditar em boatos? Devia ao menos ter me perguntado, pois eu
responderia com prazer que na verdade foram 20, considerando uns caras de fora
do país. Sem falar do seu amigo, que eu só soube que era seu amigo, depois que
nos conhecemos. Ainda sim é um motivo muito fraco pra você ter feito o que fez.
Se fosse só pela surra e pela solidão, eu até
deixava pra lá. Mas você cometeu apenas um erro.
Você cometeu o erro de apontar uma arma para alguém
sem a intenção de matar. No seu caso até tinha intenção, mas faltou coragem
pelo visto. Você não tem coragem de puxar o gatilho meu bem? Desculpe. Mas eu
tenho.
--Roberta H.

Nenhum comentário:
Postar um comentário