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sábado, 10 de agosto de 2013

Conto - Felizes Para Sempre

Conto:  Felizes Para Sempre
Autor(a:): Roberta H.
 Você também pode mandar seu conto para o e-mail: sr.fofo@hotmail.com

Felizes Para Sempre


--Você está com medo meu anjo? – ele disse segurando minhas mãos cheias de sangue. Eu permaneci em silêncio. – Não fique assim, querida, é só o começo. Seremos muito felizes juntos.

--Isso é um pesadelo, e eu nunca vou acordar. Você é o culpado. Você é quem me fez fria, me fez ser como você.

--Não meu amor, não fui eu. Foi você que se deixou levar pela escuridão. Você não quis “acender as luzes”.

--O que vamos fazer agora? Fugir para bem longe daqui seria uma ótima ideia. Não temos mais nada para fazer aqui, além do mais podemos ser pegos facilmente.

--Devo concordar. Outro país? Talvez seja um pouco arriscado...

--Não é necessário. Outro estado já basta. Também não temos muito dinheiro para ir tão longe.

            Pegamos o carro dele e ele dirigiu até um estado não muito distante, o suficiente para não sermos pegos enquanto ainda estamos no país. Talvez eu deva explicar o que ocorreu anteriormente, já que comecei a escrever isso no meio de um diálogo. Bom, basicamente: eu conheci Arthur e matei minha família com a ajuda dele, sem piedade. Não me entendam mal, eles não serviam de nada em minha vida, só atrapalhavam. Julgavam-me, até tentaram internar-me em um sanatório algumas vezes. Eles nunca me entenderam e nunca irão entender, muito menos agora que estão mortos.

            Quando chegamos ao nosso destino já estava escurecendo. Paramos em uma fazenda onde moravam um velho homem e sua esposa. Examinamos a área e concluímos que só havia os dois lá. Esperamos eles irem dormir, o que não demorou muito pra nossa sorte – eu odeio esperar – e então entramos na casa. Usamos um grampo para abrir a porta, sem dizer uma palavra. Não queríamos que eles acordassem. Calculamos todos os detalhes no carro, enquanto viajávamos pra cá. Éramos uma bela dupla.

            Depois de entrarmos, fomos até a cozinha para pegar duas facas: uma para mim e uma para Arthur. Havíamos decidido que eu ficaria com o trabalho de matar a velha e ele o velho. Entramos no quarto, ele na frente e eu atrás. “Eu sou mais experiente que você” foi o argumento usado por ele para decidirmos esse detalhe. Sem enrolarmos, matamos logo os pobres e inúteis velhinhos. Uma facada em cada um. Foi uma cena insanamente romântica: um casal de jovens matando um casal de velhos que provavelmente passaram a vida inteira juntos, e morreram juntos também. Isso até me fez sentir-me mais bondosa, gentil, sei lá.

            Enterramos os corpos na mesma cova – só pra não fugir do clima romântico – ao lado da casa. Levamos um certo tempo até terminarmos de cavar o buraco, então foi meio entediante. Bom, enterramos os corpos, trocamos os lençóis da cama dos velhos e fomos dormir. Já era madrugada e eu não queria estar cansada amanhã.

--Boa noite, meu anjinho.

--Vá se foder.

            Quando acordei na manhã seguinte já estava quase na hora do almoço. Senti um cheiro muito bom de comida e descobri que Arthur já havia acordado e estava na cozinha preparando algo. Bom, pelo menos ele não mera totalmente inútil: ele sabia cozinhar. Tomamos o café da manha – que não estava tão bom quanto o cheiro – e fomos para uma loja de ferramentas.

            Arthur queria comprar algumas coisas para torturarmos nossas vítimas, pelo simples prazer de matar. Para pagar usamos o dinheiro dos velhos, que encontramos num canto da casa. Voltamos para a fazenda para começarmos a planejar como iríamos atrair nossos ‘brinquedinhos’.

            Quando chegamos lá, Arthur me mandou guardar as ferramentas no porão, e eu fui. Eu o detestava. Era como se eu fosse feita só para ser mandada por ele. Ele se achava superior, mas na verdade quem era superior era eu. E eu iria provar isso. Pra mim, o mais forte, o melhor o superior, era quem vencia. No caso, a denominação de ‘superior’ era de quem matava quem.

            Eu acabei achando uma faca bem velha e suja lá no porão. Eu amava facas, era minha paixão. Depois de guardar as ferramentas, voltei lá pra fora onde Arthur estava testando um machado que achamos num galpão, ou seja, ele estava cortando a lenha que mais tarde me seria útil.

A minha faca estava no bolso de trás do jeans que eu estava usando. Então, eu a peguei, andei em direção a Arthur e lhe dei um abraço, sem que ele vesse que eu estava segurando uma faca. Finquei-a nas costas dele, e então ele disse “vadia” e caiu. Com o machado que ele havia usado para cortar a lenha, eu parti a cabeça dele em duas partes.

--Eu sei que você me ama, Arthur, mas eu tenho nojo de você. Talvez você possa me perdoar quando nos encontrarmos no inferno. Creio que não demorará muito, já que eu sou como você, portanto mereço morrer. Seremos felizes para sempre, Arthur.


            Depois disso, eu levei a lenha para perto da casa e fiz uma fogueira. Arrastei o corpo de Arthur para lá e coloquei no fogo. Fiquei o observando queimar por um tempo, imaginando o que acontece depois que morremos. E então eu fechei os olhos e me joguei:

            --Você me ama, não é? Então vamos queimar juntos no fogo da paixão!


--Roberta H.

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