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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Conto - Assassina

Conto:  Assassina
Autor(a:): Roberta H.
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Assassina

Acordo e abro meus olhos. Tem um homem com uma capa preta em minha frente. Não consigo ver seu rosto, mas deduzo que é um homem pelo corpo.  Ele também tem uma foice na mão esquerda. A primeira coisa que vem em minha cabeça é de que ele é a Morte, a segunda coisa é: A morte é canhota? Bom, eu não acho que seja a morte, mas se não é, o que essa pessoa está fazendo em meu quarto?

--Bom dia, Luiza.

--Quem é você? – Pergunto com uma voz sonolenta.

--Eu sou a morte. Mas não se preocupe, não vim lhe buscar, vim buscar suas vítimas. Mas aí eu vi você, linda, dormindo como um anjo. Estava apenas lhe observando dormir, desculpe-me se lhe assustei.

--Eu deveria ter medo de você, mas você não parece ser uma má pessoa. Você disse algo sobre “minhas vítimas”. Que vitimas?

--Você matou muitas pessoas ontem, não foi? Não se lembra?

--Não! Eu não matei ninguém! Você está louco?!

--Olhe pela sua casa, você matou todos eles. É uma assassina!

Vou ao banheiro. Sangue para todos os lados. Alguém está deitado no chão, dilacerado. Quase vomito. Na banheira também há sangue, e também há alguém lá. Acabar de acordar e ver uma cena dessas não é pra qualquer um. 


            Vou até a cozinha. Mais sangue, mais pessoas. Agora há um homem com as pernas arrancadas e jogadas em cima da cabeça de uma criança. Sim, a cabeça, o corpo dela está sobre a mesa ao lado de uma xícara cheia de sangue. Ao lado dá xícara há um papel escrito:

           "Lembrete: Tomar no chá das 17:00"


            --O que aconteceu aqui?! Eu não matei ninguém!

            Volto ao meu quarto. A Morte não está mais aqui. Vou até a sala, e como eu esperava, há mais pessoas e mais sangue. Que merda aconteceu aqui? Eu sei que não sou uma assassina! Vejo minha câmera no canto do sofá ao lado de um coração que foi arrancado de um bebê. Eu pego ela, talvez tenha algo que possa responder minhas perguntas. Na câmera há fotos minhas de algum tempo atrás, da cena do crime... Um vídeo! 


Aperto o play: Eu estou filmando o espelho, saio de meu quarto e vou ao porão. Há muitas pessoas lá, todas vivas. Deixo a câmera em uma mesa e começo a matar as pessoas, de modos diferentes. Corto a cabeça de um, arranco as pernas de outro e deixo-o sangrando até morrer, faço um corte no peito de um bebê e arranco-lhe seu coração... Todos são assassinados por mim. Arrasto-lhes até a escada e subo com os corpos, um de cada vez. Fico um tempo lá em cima e volto pegar o outro. Deixo apenas um lá em baixo. Faço um corte em seu abdômen, tiro seu órgãos e espalho-os pelo porão. Pego a câmera novamente e filmo o porão ensanguentado, com órgãos espalhados por ele e um corpo jogado ao canto, encostado na parede. O vídeo acaba.

            Isso não pode ser verdade.  Eu não me lembro de ter matado ninguém! Ouço sirenes. Droga! É a polícia! Não sei o que fazer. É melhor eu me render e passar o resto de minha vida em um cela. É o que eu mereço, eu matei muitas pessoas, não sei como fui capaz de fazer isso, mas eu fiz. 


            A polícia não me leva para a cadeia e sim para uma casinha no meio do nada. O que eles vão fazer comigo? Obrigam-me a entrar, me amarram em uma mesa e começam a me torturar. Cortam minha orelha direita, queimam um lado de meu rosto, fazem cortes em meus braços... Eu nunca senti tanta dor em minha vida. Eles não param, arrancam meu olho esquerdo e continuam me torturando. Parece que quanto mais eu grito, mais eles querem me fazer sofrer. Seus olhos brilham e eles sorriem insanamente.

Acordo e abro meus olhos. Tem um homem com uma capa preta em minha frente. Não consigo ver seu rosto, mas deduzo que é um homem pelo corpo.  Ele também tem uma foice na mão esquerda. A primeira coisa que vem em minha cabeça é de que ele é a Morte, a segunda coisa é: A morte é canhota? Bom, eu não acho que seja a morte, mas se não é, o que essa pessoa está fazendo em meu quarto?

--Bom dia, Luiza. É uma pena que o pesadelo não termine quando você acorda. Não acha melhor esconder os corpos?


--Roberta H.

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