Conto: Arame Farpado
Autor(a:): Aline.
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Sei que faz tempo que estou sem postar, peço desculpas (de novo). Se alguém souber o nome do autor ou autora dos contos postados cujo autor(a) está descrito como "desconhecido", me avise e irei dar os devidos créditos. Obrigada.
Arame Farpado
Ela caminhava lentamente para seus passos não serem
ouvidos, arrastava a trouxa com cuidado atrás de si, a coisa envolvida em
trapos ainda tinha leves espas mos e fazia um barulho como um de um sapo coaxando. Ninguém poderia descobrir seu segredo, ninguém poderia saber que aquela
trouxa tão imunda e disforme já fora um ser humano. Isso seria uma
tragédia, uma desgraça para sua vida amaldiçoada.
Ela
não fazia por mal, nunca quis ferir ninguém, a primeira vez fora sem querer,
estava brincando com um amigo, quando esse se desequilibrou e caiu da
ponte; ela tentou segurá-lo, mas ele escorregou; ela ficou vendo os
carros passarem por cima do corpo, depois a ambulância chegou e ela sumiu…
Ninguém nunca soube.
Então
se tornou um vício, era como se tudo o que ela tocasse morresse. Mas o pior não
era isso; o pior é que ela gostava de ver as coisas morrerem, era tão bom,
melhor ainda quando as vitimas reagiam… Ver o medo em seus olhos, a raiva,
sentir os golpes que elas davam enquanto morriam, ouvir os gritos e os gemidos,
então o silêncio…Ah! Aquele delicioso silencio mórbido.
Ela não
conseguiria viver sem nada disso… Por isso nem tentara fugir de seu “dom”. Encontrara
um pequeno campo ao lado de uma indústria de produtos de limpeza. Era perfeito.
O cheiro forte encobriria o fedor putrefato dos cadáveres e os tóxicos logo se
encarregariam de consumir o que restasse das vitimas.
Pegando
uma pá detrás de um arbusto, ela cavou outra cova, suas mãos já estavam
cheias de calos por esta tarefa repetitiva, já estava bem funda em pouco tempo.
Abrindo o saco, ela jogou seu conteúdo dentro da cova, só se sabia qual
era a cabeça por causa do monte de cabelos cor de avelã, já que o resto era
algo retorcido e vermelho.
Ela fez uma careta quando
percebeu que um dos olhos grudara em seu sapato, limpou com a pá. Tirou da
bolsa o martelo, a arma do crime, que sempre enterrava junto com a vítima;
jogou-a no buraco, tampando-o com terra logo em seguida. Acabara,
era só isso.
Voltou para casa, seus pais
ainda estavam dormindo, pegou uma faca no armário, esquentou-a no fogão,
levantou a manga do moletom revelando o braço cheio de cicatrizes. Marcou
com a faca incandescente mais uma cruz no braço, era seu modo de dizer adeus a
mais aquela pessoa que alimentara seu vício. Pegou os documentos da
vítima, guardando-os numa caixa de “Sonho de Valsa” que tinha no armário
atrás das calças jeans. Olhou o
relógio, 2:35 da manhã, fora rápida, ainda dava tempo para mais um…
Ela
entrou devagar e sem fazer barulho, já estava especialista em quebrar janelas
sem ruído. Dirigiu-se ao quarto onde o casal dormia, tirou algo da bolsa e
segurou firmemente em ambas as mãos, uma luz se acendeu atrás dela. Ela mal
teve tempo de olhar, seu rosto foi envolvido por algo que ela reconheceu como
arame farpado que lhe cortava e entrava em sua boca. A dor que a envolveu era
interminável, o jovem tinha força e a mantinha no chão enquanto puxava e puxava
aquele fio cheio de pontas. Via a surpresa e a dor no rosto juvenil dela, devia
ter uns dois anos a menos que ele próprio. Não demorou muito para que ele
dividisse aquele rosto bonito em dois, o sangue tinha formado uma poça no chão,
ele levou o corpo até um baú em seu quarto, em breve a enterraria ou jogaria em
um lago, o que aparecesse primeiro, escondeu a bolsa dela na antiga caixa de seu
Playstation atrás das roupas de futebol. Limpou o
sangue com o pano de chão, o lavou e o estendeu no varal.
Começara há algum tempo, não
tinha a menor intenção de matar, mas o ladrão invadira a casa e apontara uma
arma para sua irmã, que dormia; ele bateu com um vaso de ferro na cabeça do
idiota, batera forte demais e o homem caíra; ele de teve que despedaçá-lo para
que coubesse no baú, a partir de então se tornara um vício, algo de que ele
precisava, algo louco e insano que o dominava. Ele trancou o baú esperando o amanhecer, voltou a dormir… Era assim, um dia da
caça outro do caçador.
--Roberta H.
O autor deste conto se chama Aline
ResponderExcluirGrata pela informação
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