Conto: O Dourado Amanhecer
Autor(a:): Desconhecido.
Você também pode mandar seu conto para o e-mail: sr.fofo@hotmail.com
O Dourado Amanhecer
Hoje
acordei me sentindo diferente. Acordei com vontade de ver além do óbvio. Com
vontade de transcender meus desejos a realidade. Me sinto
frágil, me sinto acusado, julgado, mas ainda assim me sinto tão bem. O ar que
ronda o meu quarto passou a ser uma leve brisa que envolve meus desejos mais obscuros. Hoje eu acordei com vontade de
me sentir realizado. E assim, o fiz.
Sou um homem inveterado, maltratado pelo tempo e
pela vida. Pelas pessoas. Sou uma vítima, fui abusado, sou um drogado, e também
sou um mimado. Sou pedófilo, e costumava ter relações com a minha mãe. Sou
necrófilo, e também canibal. Você realmente acredita nisso? Caberão aqui mais
justificas clichês para exemplificar a minha conduta nada ortodoxa? Acho que
compreendeu do que se trata este jogo.
Vocês jamais entenderão o que é perder-se em
devaneios, simplesmente do nada. É estranho, já tentei lutar contra isso, mas
hoje aprecio me perder em pensamentos banhados a loucura e escritos pela minha
insanidade. Basta apenas olhar fixamente para um ponto, ou ver um programa televiso,
ou apenas, ouvir uma melodia inspiradora. Às vezes, basta acordar.
Vocês jamais entenderão a minha afeição pelo
contraditório. Jamais. Jamais entenderão o quão estranho é salivar, rir
incontrolavelmente, e sentir aquela sensação inexplicável de ardor interno, de
excitação, de maravilha a pensar em fatiar um, ou dois.
Vocês nunca iriam entender como é dormir com uma
faca, e acordar com uma moça. Aos pedaços. Tenros pedacinhos cheios de amor,
mas ainda assim não me basta. Moças quaisquer, não conseguem suprir a minha
sede. Eu quero ter você em mãos. Você em pedaços nojentos de carne adormecida.
Quero ter o seu pescoço marcado pela corda, e por meus dedos.
Quero sentir sua ânsia, alimentar-me de seu
refluxo. Quero o seu cabelo, preso em meu peito. Quero ser o primeiro a
escalpar sua alma de vagabunda. Quero brincar com seus olhinhos puxados, quem
sabe puxa-los ainda mais. Mais, mais, mais e mais! De repente, ainda mais.
Nada será tão prazeroso quanto cortar-lhe a carne,
pendurar-lhe as pernas para alto, e ouvir seus suplícios inúteis e falsos.
Minto. Talvez seja mais prazeroso cortar-lhe seus diminutos peitos flácidos, e
depois te atacar com ferro quente, para marcar definitivamente a vadia que você
é.
Talvez a sua traqueia sirva mais do que para
engolir coisas. Ficaria linda pregada na parede de minha sala, logo ao lado dos
tecidos pecaminosos de sua boca mentirosa. Nada será mais deleitoso do que
sentir as pequenas agulhas quentes passando por seus poros exaladores de
enxofre.
Quero comer parte da sua bochecha frita no óleo que
produz. Sei que irei me enojar, e com sua boca já dilacerada aos lados,
vomitarei ali mesmo. Depois, quero que me responda, o que foi mais agradável,
vomitar mentiras, ou comê-las. Quero queimar
sua pele com o mesmo formol que me mergulhou. Quero arrancar-lhe as entranhas,
eu quero tanta coisa, quero fazer tanta coisa. Você não imagina o que cinco
anos de traumas e um pouco de soda caustica podem fazer.
Hoje acordei diferente. Realizado, com um sorriso
no rosto, e talvez pela primeira vez, completamente são, e completamente
realizado. Abraçado as suas vísceras, ao meu instinto, e ao seu silêncio.
--Roberta H.
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