Música

domingo, 29 de dezembro de 2013

Conto - O Dourado Amanhecer

Conto: O Dourado Amanhecer
Autor(a:): Desconhecido.
 Você também pode mandar seu conto para o e-mail: sr.fofo@hotmail.com

O Dourado Amanhecer

Hoje acordei me sentindo diferente. Acordei com vontade de ver além do óbvio. Com vontade de transcender meus desejos a realidade. Me sinto frágil, me sinto acusado, julgado, mas ainda assim me sinto tão bem. O ar que ronda o meu quarto passou a ser uma leve brisa que envolve meus desejos mais obscuros. Hoje eu acordei com vontade de me sentir realizado. E assim, o fiz.


Sou um homem inveterado, maltratado pelo tempo e pela vida. Pelas pessoas. Sou uma vítima, fui abusado, sou um drogado, e também sou um mimado. Sou pedófilo, e costumava ter relações com a minha mãe. Sou necrófilo, e também canibal. Você realmente acredita nisso? Caberão aqui mais justificas clichês para exemplificar a minha conduta nada ortodoxa? Acho que compreendeu do que se trata este jogo.


Vocês jamais entenderão o que é perder-se em devaneios, simplesmente do nada. É estranho, já tentei lutar contra isso, mas hoje aprecio me perder em pensamentos banhados a loucura e escritos pela minha insanidade. Basta apenas olhar fixamente para um ponto, ou ver um programa televiso, ou apenas, ouvir uma melodia inspiradora. Às vezes, basta acordar.
Vocês jamais entenderão a minha afeição pelo contraditório. Jamais. Jamais entenderão o quão estranho é salivar, rir incontrolavelmente, e sentir aquela sensação inexplicável de ardor interno, de excitação, de maravilha a pensar em fatiar um, ou dois.


Vocês nunca iriam entender como é dormir com uma faca, e acordar com uma moça. Aos pedaços. Tenros pedacinhos cheios de amor, mas ainda assim não me basta. Moças quaisquer, não conseguem suprir a minha sede. Eu quero ter você em mãos. Você em pedaços nojentos de carne adormecida. Quero ter o seu pescoço marcado pela corda, e por meus dedos.


Quero sentir sua ânsia, alimentar-me de seu refluxo. Quero o seu cabelo, preso em meu peito. Quero ser o primeiro a escalpar sua alma de vagabunda. Quero brincar com seus olhinhos puxados, quem sabe puxa-los ainda mais. Mais, mais, mais e mais! De repente, ainda mais.
Nada será tão prazeroso quanto cortar-lhe a carne, pendurar-lhe as pernas para alto, e ouvir seus suplícios inúteis e falsos. Minto. Talvez seja mais prazeroso cortar-lhe seus diminutos peitos flácidos, e depois te atacar com ferro quente, para marcar definitivamente a vadia que você é.


Talvez a sua traqueia sirva mais do que para engolir coisas. Ficaria linda pregada na parede de minha sala, logo ao lado dos tecidos pecaminosos de sua boca mentirosa. Nada será mais deleitoso do que sentir as pequenas agulhas quentes passando por seus poros exaladores de enxofre.


Quero comer parte da sua bochecha frita no óleo que produz. Sei que irei me enojar, e com sua boca já dilacerada aos lados, vomitarei ali mesmo. Depois, quero que me responda, o que foi mais agradável, vomitar mentiras, ou comê-las. Quero queimar sua pele com o mesmo formol que me mergulhou. Quero arrancar-lhe as entranhas, eu quero tanta coisa, quero fazer tanta coisa. Você não imagina o que cinco anos de traumas e um pouco de soda caustica podem fazer.


Hoje acordei diferente. Realizado, com um sorriso no rosto, e talvez pela primeira vez, completamente são, e completamente realizado. Abraçado as suas vísceras, ao meu instinto, e ao seu silêncio.



--Roberta H.

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