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terça-feira, 16 de abril de 2013

Conto - No calor do fogo


Conto:  No calor do fogo
Autor(a:): Roberta H.
  Você também pode mandar seu conto para o e-mail: sr.fofo@hotmail.com

 No calor do fogo




--Olhe ela, não é linda? – eu disse apontando para uma bela moça que saia de um bar.

--É sim, uma ótima vítima.

   Longos cabelos loiros, olhos claros e um rosto angelical, meu tipo preferido. Ela saiu do bar e entrou em uma rua escura e deserta, eu fui atrás dela e deixei meu amigo sozinho. Parei a alguns metros dela de e esperei um pouco. Um homem estava lá e ia assalta-la, ou sei lá. Eu dei uma de mocinho, dei um chute nas bolas do cara, puxei a moça pelo braço e saímos correndo. Depois de nos certificarmos que o homem não estava mais atrás de nós, paramos.

--Você está bem?

--Sim, e você?

--Estou.

--Obrigada por me salvar.

--Não foi nada. Qual é o seu nome?

--Amanda. E você é?

--Rafael, prazer. Quer uma carona?

--Acho que vou aceitar, obrigada.

--Onde você mora?

--Estou em um hotel por enquanto, cheguei aqui na cidade hoje de manhã.

--Você é de onde?

--De uma cidade pequena aqui perto.

--Se você quiser pode ficar na minha casa, tem um quarto para visitas lá.

--Eu não quero incomoda-lo.

--Não vai incomodar. Eu moro sozinho, me faria companhia. Eu posso te mostrar a cidade amanhã, se você quiser.

--Obrigada.



   Eu dirigi meu carro até a minha casa, que ficava há alguns minutos dali. Entramos na casa e eu mostrei o quarto de visitas para Amanda, a deixei arrumando as coisas e pedi uma pizza, já que não era bom na cozinha. Ela disse que estava muito cansada da viajem, e que não estava com fome, então, foi dormir.

   Fiz minhas malas e coloquei do lado de fora da casa. Peguei álcool e fósforos. Joguei o álcool na porta do quarto em que ela estava, acendi o fósforo e joguei. Imediatamente o fogo começou a queimar a porta. Dei a volta na casa e fui até a janela do quarto pelo lado de fora, abri a janela e joguei um pouco de álcool dentro do quarto, acendi outro fósforo e joguei. Tranquei a janela pelo lado de fora, a porta também estava trancada, ela não tinha como fugir.



   Voltei à frente da casa e peguei minha mala. Antes de ir, olhei para a casa e despedi-me, em silêncio de Amanda. Entrei no carro e fui embora para outra cidade, na qual estou agora. Amanda está morta. Morreu no calor do fogo em uma noite de inverno. Dormiu para nunca mais acordar. Dois dias depois, meu amigo me ligou e disse que foi ao enterro de Amanda. Então eu tive certeza de que nunca mais veria ela.

   Era tarde demais para arrependimentos, mas não, eu não me arrependo. Se você quer ser uma pessoa má, precisa aprender a nunca se arrepender do que faz. Se eu tivesse me arrependido naquela hora, provavelmente estaria preso agora. Estou apenas dizendo para você tomar cuidado, estou procurando outra vítima. Não estou dizendo que vou te matar, mas pode ser que, por um acaso, minha próxima vítima seja você.


--Roberta H.

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